SE EU SOUBESSE CONTAR INFINITOS
Na página LIFESTYLE, vou dividir com vocês um pouco mais da minha vida — o que me faz feliz e alimenta minha alma.
Coisas simples, como chegar em casa e acender uma vela cheirosa para começar a noite.
Compartilhar meus perfumes, maquiagens, livros, viagens — tudo o que faz parte da minha rotina e que, no final, somando tudo, posso chamar de minhas pílulas de felicidade.
Antigamente, antes dos celulares se transformarem em extensão do corpo, eu lia muito.
Ler era, pra mim, o momento em que eu escutava o meu silêncio interno.
Fui parando aos poucos, quase sem perceber.
Troquei as páginas por séries e me enganava dizendo que minha vista já não era a mesma.
Mentira — era preguiça mesmo.
E foi sem planejar, talvez por necessidade de me acalmar, depois de tantos livros deixados pela metade, que comprei Se eu soubesse contar infinitos.
Já nas primeiras páginas, o livro me pegou.
Encheu meus olhos de lágrimas quando li sobre a vida de Tereza — me vi em tantas situações.
Deixo aqui um trecho que me marcou profundamente:
“Não sei quando a luz e a sombra começaram a me chamar.
Os vitrais da faculdade espelhavam cores na tela onde não havia tinta.
Eu me lembrava da infância em São Paulo, da janelona que da fresta mais alta exibia vidros coloridos.
Todas as cores estavam ali. As sombras dançavam ao longo do dia pelo sofá, pelas tábuas de madeira, pela toalha de mesa branca.
Eu brincava de entrar e sair da sombra, entrar e sair das cores.
Dentro delas era quente e secreto.
Meus pais entenderam cedo que não controlariam meu destino.
Eu quis ser luz e sombra — as penumbras me moldaram.
Antes que eles planejassem me impedir, ou arrumassem um fazendeiro para eu casar, eu me mudei para o Rio de Janeiro.”
Esse trecho me define.
Parece que fui eu quem escreveu — ou alguém escreveu me observando viver.
E isso, mais uma vez, me encheu os olhos de lágrimas.
Foi assim, me identificando com a história de Tereza e suas meninas, Celeste e Carolina, que me apaixonei pela leitura novamente.
O livro conta, em trechos emocionantes, a história de mãe, filha e neta — três vidas entrelaçadas pelo infinito.
Na escrita, Mayra mistura letras de músicas brasileiras com uma sensibilidade profunda: Legião Urbana, Marina Lima, Rita Lee, Caetano Veloso… nomes que fizeram parte da minha criação, da minha adolescência.
A leitura me transportou para lugares guardados dentro de mim.
Abriu caixinhas lacradas a chave.
Levei pra terapia.
Refiz padrões.
É incrível a “porrada bem dada” que um livro pode nos dar.
Deixo aqui essa dica valiosa para quem procura uma leitura suave, mas transformadora.
Eu voltei a ler.
Resgatei a Dani que se perdia e se encontrava nas páginas.
Aconselho.
Beijos apertados,
Dani Lenzi 🤍
Essa foi minha troca de mensagens com a autora Mayra, é gratificante essa troca.

E esse, um dos meus trechos favoritos.
